O grupo Divergualdade

O grupo Divergualdade
Um grupo em construção

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Resenha do Artigo da ARIC:

Convivência em uma orquestra comunitária: um olhar para os processos educativos.

Maria Carolina Leme Joly

Ilza Zenker Leme Joly

O artigo apresentado é o resultado de uma pesquisa de mestrado onde se destaca e analisa “os processos educativos presentes em uma orquestra comunitária que se originam na prática social da convivência de um grupo de músicos. A Orquestra Experimental da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde a coleta de dados foi realizada, é formada por músicos amadores e profissionais advindos de diversas comunidades, com diferentes graus de desenvolvimento e conhecimento musical”.( JOLY, 2009). Os dados foram coletados através de entrevistas semi-estruturadas com cinco participantes da orquestra.

Segundo Beineke “ao aprender música, ou ao realizar aprendizagens em qualquer outro campo do conhecimento, cada pessoa atribui significados próprios para aquilo que aprende, reconstruindo seus saberes a partir do seu próprio repertório de vida”. O grupo musical (orquestra) é um campo onde existe uma grande diversidade de pessoas de diferentes contextos.

O artigo afirma ser importante “compreender o que significam essa heterogeneidade, essa diversidade de personalidades, pensamentos e histórias de vida para descrever e analisar a forma como essas diferenças podem se constituir em material rico para educadores musicais e professores de maneira geral. O grupo instrumental constrói na sua trajetória de aprendizagem musical, uma identidade específica como grupo, que, por sua vez, pode abrigar e valorizar a diversidade, a solidariedade e apoio às diferenças”.

As autoras se referenciam da teoria do conhecimento de Paulo Freire – numa relação dialógica - que “reconhece que os atos de conhecer e pensar estão, diretamente ligados à relação com o outro. O conhecimento precisa de expressão e comunicação e ele não é, de maneira alguma, um ato solitário”.

É feita uma descrição do histórico da orquestra e seus objetivos. “Os objetivos da orquestra extrapolam aqueles estritamente musicais e avançam em metas para estabelecer e melhorar as relações humanas entre os seus diferentes participantes, sempre através da prática musical coletiva”.

Pode-se observar com este texto a com a pesquisa, a importância de se estudar os elementos que as práticas musicais envolvem – “aprendizagens musicais, humanas e sociais”.

As autoras também falam da diversidade do repertório utilizado na orquestra que valoriza a música brasileira, mas dá espaço para diferentes estilos e culturas. Isso promove o contato dos integrantes do grupo com diferentes culturas, vivendo-as (ao tocar) e podendo compreende-las no contexto geral.

Outro fator interessante na Orquestra Comunitária é “que as pessoas que a compõem estão participando por uma escolha pessoal de fazer música em conjunto”.

Então a pesquisa coloca que “música, como expressão, pode ser um meio de diálogo entre os músicos que tocam em conjunto e também entre orquestra e público que participam de um concerto”

Os integrantes da Orquestra estabelecem uma relação de diálogo, e constante aprendizagem através das praticas musicais. “ Consciente de si, de seu papel e de sua responsabilidade dentro do grupo, os músicos trabalham em conjunto, respeitando-se, transformando-se e possibilitando a transformação do mundo através do fazer musical”.

O estudo conclui afirmando que: “os participantes do grupo estão em constante transformação em decorrência das experiências vivenciadas nas práticas musicais e sociais no ambiente da orquestra”. Isso demonstra a importância de se realizar mais estudos sobre as práticas musicais em grupo e sua repercussão nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade como um todo.

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